Apesar do sol que brilha lá fora, hoje está escuro dentro de mim.
Tenho o coração apertadinho, as lágrimas teimam em cair, parece que tenho uma ligação directa a um qualquer reservatório de água de proporções inesgotáveis.
Estou triste, muito triste porque uma pessoa que está na minha vida há já 30 anos está em vias de partir.
Porque é triste ver no que o tempo e a enfermidade transformam as pessoas.
Porque naquela cama de hospital está apenas um vislumbre de quem sempre foste.
Recordo-me como ainda há poucos dias me dizias e à mana, "fiquem aqui. Fiquem até à meia-noite, não quero que vocês se vão embora."
Agora somos nós que egoisticamente queremos que fiques aqui.
Porque racionalmente sabemos que na realidade já não estás bem aqui, e que talvez te espere um destino de menor sofrimento.
Tudo isto levou-me a pensar em que raio de vida vivemos, em que temos que andar sempre a correr de um lado para o outro sem tempo para FICAR.
Acordo de manhã, levanto-me, arranjo-me, trato do filhote, pequenos-almoços e despacha-te daqui e dali que já estamos atrasados e lá nos enfiámos no carro para ír para a escola e para o trabalho, para no final do dia fazer o percurso inverso.
Que raio de vida é esta em que mal temos tempo uns para os outros?!
Em que o meu filho me diz que gostava que eu não tivesse trabalho para poder passar mais tempo com ele?!
Em que não passamos tempo com a família, os amigos?!
Em que estamos num sítio a pensar que deveríamos estar noutro ou a fazer uma outra coisa?
Em que pensamos que temos todo o tempo do Mundo; que ele não nos escorre pelos dedos, que poderemos sempre fazer isto ou aquilo... mais tarde.
Porque pensamos sempre e só em nós, como não nos apetece ver esta ou aquela pessoa neste preciso momento, como aquela chamada não vem mesmo nada a calhar, como mais tarde ligo ou mando um mail; outro dia visito...
Mas naquele momento ouvir a nossa voz podia ser o melhor consolo que aquele pessoa podia receber; a nossa visita podia ser o melhor remédio; receber uma mensagem podia colocar-lhe um sorriso nos lábios...
A lição que tiro disto tudo é que me faz falta FICAR mais, PERDER mais tempo, DAR mais amor, Hoje, e não deixar para amanhã, porque o amanhã pode nunca chegar.
Fiz deste o meu lema, mas nem sempre é fácil viver de acordo. Ás vezes são precisas situações extremas para nos fazer olhar a vida de um modo mais crítico; analisar e ver o que podemos melhorar.
Há algum tempo atrás prometi a mim mesma que diria às pessoas que amo que as amo todos os dias...
Nem sempre consigo, mas vou continuar a tentar. Um dia de cada vez...
Amo-te! (filhote, pai, mãe, mana, avozinhas, tios, primos, amigos e a ti)
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